Novata

16 nov

Fiquei sem muita ideia sobre o que fazer com esse blog após o post da maratona. Afinal, a intenção desse diário era relatar a minha trajetória até a minha primeira maratona e depois disso não vi mais sentido em atualizar os posts, certo? Mas confesso que fiquei com saudades de ter um espaço para colocar meus pensamentos sobre essa vida maluca que os atletas amadores levam.

Cada vez mais surgem revistas especializadas no assunto, mas acho que por ter fins comerciais, nem sempre elas me passam as informações do jeito que poderiam ser passadas. Também sinto que tem muita matéria por aí que é só pra ‘engordar’ a revista e criar mais espaço publicitário. Então tá, decidi que vou reativar o blog e aproveitei uma oportunidade poética para fazê-lo.

Após a maratona e minha merecida semana de férias, voltei aos treinos com força total para o ‘Projeto Passarinho’, decidida a voar nas pistas e conquistar um pace abaixo de 6:00. Mas é claro que para deixar tudo mais emocionante eu levo um tombo ridículo de bicicleta, me ralo inteira  e fico 2 semanas de molho. Fiquei extremamente irritada com isso porque naquela semana eu havia ganho o sinal verde (pela primeira vez) do meu treinador para correr a Athenas 10km no pace de 6:30 (até então só aparecia 7:20 nas planilhas) e acabei perdendo a prova por não conseguir dobrar o joelho devido a uma mega ‘casquinha’.

Quando uma amiga me contou que o #COISADABOA da Nike estava bancando as inscrições para o Circuito Vênus eu não pensei duas vezes e logo me inscrevi nos 5k para honrar meu pace. Fiquei muito feliz pois essa foi a primeira prova que participei quando comecei a correr, em 2009. Minha ‘anja’ Vivi me arrastou pelos torturantes 5Km, sempre com um sorriso no rosto e perguntando se poderia ‘dar uma puxadinha’ (no ritmo). Eu balançava a cabeça que sim enquanto o resto do corpo gritava NÃÃÃO! rsss Achei que seria poético voltar maratonista a minha primeira prova e arrasar no pace.

Bobinha.

Como uma boa novata eu perdi meu ritmo. Larguei muito forte (5:50) e precisei andar no Km2 para evitar que meu coração saísse pela boca. Lembrei do amigo Paulão falando: ‘ pode ir forte nos 5Km que você não quebra! ‘. Nunca duvide de mim. Quebrei.

Voltei a correr no 2,5 mas logo precisei andar de novo. Quando cheguei no Km4 , ali já no pace de pôneis malditos, resolvi puxar o último fôlego e fechei a prova em 34:48. Definitivamente melhor do que a minha primeira prova. Definitivamente pior do que eu esperava.

Circuito Vênus 2009 e 2011

ps1: pelo menos tive a alegria de presenciar a quebra do recorde mundial pessoal da minha irmã nos 10km. 48:59 é uma marca memorável, Nina. Quem sabe na próxima eu não te alcanço?

ps2: Dei entrevista para a WRun. #phyna

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Uma resposta to “Novata”

  1. Eduardo Favila 22/11/2011 às 11:39 pm #

    Correr uma Maratona é fantástico.
    A priori, pode até parecer loucura. Abdiquei de baladas, álcool, dormi pouco. Quantas vezes eu acordei 3 ou, 4 da madrugada para correr cedo. E ir dormir às 19 ou 20 horas para acordar cedo?

    E os longões de 30km? Pareciam infinitos, mas valeram a pena.
    Nada, todavia, vem sem esforço e renúncias.

    Até assaltado eu fui, logo no começo de um longão de 30km, quando os vagabundos levaram meu GPS e meus carboidratos. Mas o Manuel, o coelho, não deixou eu desistir. No km23 eu tive hipoglicemia, quebrei, pensei em desistir, pensei na passagem comprada, na inscrição feita, no hotel então reservado, em meu avô, mas comi trocentas bananas e fui até o final, morto, mas fui. Valeu Manoel.

    Mas tudo dá certo. Meu primo mandou um GPS novo dos EUA por meu tio (valeu Luiz Carlos), em SP, que mandou para Curitiba e chegou na véspera da corrida.

    A Maratona de Curitiba foi hard. A cidade é perfeita, limpa, barata e as pessoas, educadas, a despeito da fama de “metidas”. Mas o percurso tem muitas, muitas, muitas subidas. Não são uma, três, cinco… é o tempo inteiro subindo e, por óbvio, descendo. E se engana quem acha que descida é fácil… se você não segurar, ferra o joelho. Não a recomendo, todavia, para ser a primeira maratona. Fui porque tinha que fazer isso mesmo.

    Tudo correu bem. Larguei com 9 graus e terminei com uns 19. O vento frio era f…. mas antes isso que um calor de 30, 35 graus (em Recife e Belém, nos treinos). No começo, como todo mundo estava usando frequencímetro, o monitor cardíaco não acho a minha frequência e corri uns km sem saber como eu estava. Até que eu consegui configurar o Garmin quando consegui ficar “sozinho” em uma subida. E olha que configurar isso correndo é difícil! Isso foi no 5km… ou menos, e ainda faltavam 37km.

    Não andei e nem parei. Hora nenhuma. Só mijei duas vezes porque senão acabaria mijando nas calças. Só cansei no km39,5 depois que subi uma ladeira acelerado demais.

    Correr uma maratona é algo fantástico. Recomendo. Não é impossível. Basta querer, como tudo na vida.

    Você faz amigos, flerta, conversa, ultrapassa e é ultrapassado pela mesma pessoa várias vezes, ajuda e é ajudado, seu nome é gritado (está escrito no número) por pessoas que você nunca viu e nunca mais verá!

    Obrigado ao Paulo, meu treinador, pelas planilhas, pelas diversas dicas e por me fazer entender que a frequência cardíaca é importante.
    Ao Manuel, meu coelho, pelos longões e por ter me feito não desistir quando fomos assaltados no km1 do longão de 30km e quando quebrei, no km23.
    À Letícia, por ter me dado todo o apoio, irrestrito, lá em Curitiba.
    À Débora, minha nutricionista, pelas dietas e dicas, especialmente o BCAA.
    Ao pessoal da SportWay, pela companhia nos sábados.
    À minha mãe, por ter me chamado de doido e etc.
    E ao meu avô, a quem dedico tudo isso.

    Àqueles que duvidaram que eu conseguiria, sinto muito, consegui e com sobra.

    A dor é passageira, a glória, não.

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