M A R A T O N I S T A

7 out

Alívio.

Esse pode não ser o sentimento mais nobre, heróico ou poético para se sentir ao final de uma maratona, mas foi o alívio que tomou conta do meu corpo ao passar pelo Portão de Brandenburgo. A tensão gerada pela disciplina exigida na época dos treinos longos e o nervosismo de uma estreia me levaram a tal grau de preocupação, que tudo o que eu queria era me ver livre dessa tarefa.

Cruzar a linha de chegada era sinônimo de descanso, batata-frita, aulas de ballet e sábados de skate. Todos os sacrifícios que fiz teriam ali a sua gloriosa justificativa. Finalmente poderia voltar a minha rotina multitarefa e improvisada. Finalmente, alívio.

Dor

Dói. Correr 42 Km dói. Não importa seu pace, sua idade ou seu treinamento, alguma hora o corpo reclama. Comecei a sentir dor no km 30. Antes disso, já estava sentindo os músculos cansados e um certo desconforto no joelho esquerdo. Tudo bastante tolerável até chegarem as dores nos pés. Dor, essa inédita, que me deixou preocupada pois não conhecia nenhuma estratégia de compensação ou recuperação para amenizá-la. O que fazer quando as solas dos seus 2 pés começam a doer? Sentar, deitar, dar cambalhotas, engatinhar? Nenhuma dessas opções era viável no momento. Tentei caminhar por volta do Km35, mas a dor, que durante os 7 passos que consegui dar, se não permaneceu a mesma, piorou. A solução era continuar a correr (que a essa altura já era um trote leve). Já que era para sentir dor, melhor correr para chegar mais rápido.

“A dor é passageira, a glória é para sempre.” Murmurei esta frase algumas vezes nos quilômetros finais. Lembrei de meus amigos de equipe me acompanhando durante os treinos, sempre dispostos a ouvir minhas reclamações e me incentivar com palavras de carinho, de admiração e também com alguns berros e palavrões. Eu, que a esta hora já estava sozinha pois a Marcela ficou para trás no km 28 devido a uma forte dor no quadril ( e mesmo assim completou a prova. CAVEIRA!), só precisava seguir em frente. Sem olhar para o relógio, para a quilometragem, ou para a multidão de pessoas desoladas que precisaram trocar a corrida pela caminhada.Só ir em frente.

Foi nessa hora que a música me fez companhia. Antes de viajar, pedi para que amigos me mandassem sugestões de músicas para colocar na minha playlist da prova. As músicas serviram para sentir a energia positiva dos amigos (muitos acordaram de madrugada para assistir a prova. LINDOS!) e também para me distrair. Qualquer coisa que tirasse a minha mente da dor era válida, fosse ela um banho de mangueira (estava muito calor),  uma música animada ou tentar lembrar as medidas da receita de petit gateau.

Glória

Correr uma maratona é para poucos. Não digo isso querendo me mostrar melhor do que ninguém, acho que fisicamente, qualquer pessoa está apta a participar de uma prova dessas, mas ter a garra e a disciplina para se preparar e para enfrentar os 42.195 Km é algo bastante difícil.

Amei cruzar a linha de chegada. Amei receber as congratulações e homenagens dos amigos. Amei mostrar a minha medalha para todo mundo que conheço. Amei saber que eu sou capaz de me preparar física e psicologicamente para encarar um desafio.  Agora eu me sinto muito mais forte e madura. Chega de inventar desculpas e colocar empecilhos. Agora eu sei que com foco e disciplina eu consigo alcançar meus objetivos e ISSO, meu querido… Ah, ISSO é para poucos.


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8 Respostas to “M A R A T O N I S T A”

  1. Adriana 08/10/2011 às 12:15 am #

    Parabéns! Fez para quanto? A dor no pé deve ser característica de ficar tantas horas correndo, senti o mesmo na maratona do Rio e NUNCA tinha sentido algo parecido!!! Agora estou em Buenos Aires para correr a maratona daqui dia 09 de outubro, minha segunda. Espero nã oficar com a dor no pe!!!

    • Eduardo Favila 08/10/2011 às 8:43 pm #

      Oi Carol
      nem te conheço, mas você é foda.
      😉
      Parabéns.
      Correrei a Maratona de Curitiba, 20 de novembro.
      Bj!

      • Carpintéro 11/11/2011 às 12:26 pm #

        Tá chegando o dia! E aí, ansioso?

  2. PaulãoFDV 11/10/2011 às 5:11 pm #

    Carol!!!!!! Linda!! Parabéns por sua conquista!!! Estamos juntos sempre!!

    Beijos!
    Paulão

  3. Amanda Morais 11/10/2011 às 6:56 pm #

    Você arrasou Carol!!!
    Vc é minha inspiração….quem sabe me 2013 eu também corro uma maratona….
    Ano que vem serão muitas meias, espero poder correr sempre com vc…
    bjs,

  4. Marina Marinho 15/10/2011 às 12:49 am #

    Eu diria, querida amiga, que seu nível de resiliência é digno de atletas de elite, e são poucos os seres humanos que o tem.
    Parabéns! To orgulhosa pra c#*$%%¨#! Você é foda, ding ding dinga…
    Agora que o objetivo está cumprido, curta sua glória e o fim do ano… próximo ano tem mais desafios!!!
    #AmoMuitoTudoIsso!!!
    =****

    • Eduardo Favila 02/12/2011 às 7:00 pm #

      Carol,
      esqueci de perguntar uma coisa.
      O percurso de Berlim é plano, tranquilo?
      Curitiba é animal com tanta ladeira.
      E depois da prova, conseguiu fazer turismo?
      Vale a pena?
      Abraço!

      • Carpintéro 06/12/2011 às 12:09 pm #

        berlim é bem plana sim. passei por umas 4 ou 5 inclinações leves e curtas por causa das pontes.
        No dia seguinte eu não era ninguém, mas consegui dar uma voltinha pela cidade, mesmo andando feito uma pata. rsss

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